Gordão do MRT: o produtor por trás do som que tá levantando o funk de BH

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Todo mundo curte o beat, mas quase ninguém sabe o processo pra chegar nele. E foi justamente sobre isso que o Gordão do MRT, produtor de Pedro Leopoldo, veio bater um papo temperado na Doug Hits.

Cauan, 22 anos, é o nome por trás do apelido. Começou na música em 2021, mas o “Gordão” já vinha desde a quebrada. O “MRT” veio depois, quando associaram o apelido dele a “admirante de Leopoldo”, e colou de vez.

Do design pro funk

O caminho do Gordão até a produção não começou em um estúdio. Começou no Photoshop.

Ele fazia introduções 3D pra vídeo e, pra deixar tudo do jeito certo, editava as músicas por conta própria. Cortava parte do final, jogava pro começo, montava do jeito que fazia sentido pra ele. Até que percebeu que já tava, na prática, produzindo.

Foi aí que decidiu levar a coisa a sério e migrou pro FL Studio.

Pra ele, essa transição não foi acaso. Uma arte puxa a outra, seja do design pra música, da música pro cinema, ou qualquer outra combinação. O contato com uma linguagem visual abriu espaço pra ele enxergar a musical.

Entre os nomes que o Gordão citou como parceiros de caminhada estão o MC Pânico, com quem trabalha desde o início, o DJ Lezeira, que apoiou desde os primeiros passos, e o produtor Mauri, elogiado como fora da curva.

O funk de BH já foi maior, mas nunca parou

Perguntado se o funk de BH vive o auge, o Gordão foi sincero. Pra ele, o gênero já teve momentos mais fortes no passado, mesmo estando grande hoje. A ascensão do funk de São Paulo e do fonk deu uma disputada no espaço, mas isso não tirou a força da cena mineira.

E o recado que ele deixa é direto: o funk de BH nunca parou de fazer sucesso, só teve fases diferentes de intensidade. E, na visão dele, já tá voltando a crescer.

O que separa quem estoura de quem fica pra trás

Sem enrolação, o Gordão apontou o que, na visão dele, faz a diferença: qualidade e dedicação. Ele reforça que oportunidade não falta, mas muita gente não abraça do jeito certo quando ela aparece.

E essa regra vale para os dois lados. Tanto MC quanto produtor precisam entregar o melhor de si na hora certa. Pra ele, não existe rivalidade destrutiva entre os dois, existe dependência. Um precisa do outro pra fazer o trampo acontecer.

Os bastidores que ninguém vê

Uma das partes mais interessantes do papo foi quando o Gordão abriu o jogo sobre o que rola por trás de uma música pronta.

Ele contou que já teve faixa com quatro MCs gravados, mas um saiu do projeto por questão contratual e a música saiu com três. Também revelou que já existiram beats trocados no último segundo antes do lançamento, o que obriga a cancelar tudo e recomeçar o processo de distribuição do zero.

E tem mais: várias músicas que estouram hoje ficaram anos guardadas na gaveta antes de serem lançadas. O que parece novidade pro ouvinte, às vezes, é resultado de um processo que começou muito tempo atrás.

O conselho pra quem tá começando

Pra fechar, o Gordão deixou um recado direto pra quem tá no início da carreira: acredite mais em você e mantenha a constância. Segundo ele, essa é uma das coisas mais importantes pra quem quer crescer na música.

E a mensagem final resume bem o espírito da conversa: não desista dos seus sonhos, não se compare com a trajetória dos outros, foca no seu caminho e bora pra cima.

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