Tem gente que rima pra ostentar. E tem gente que rima pra sobreviver. HANLEE é do segundo grupo, e é justamente isso que faz a diferença nas letras dele.
Aos 19 anos, o MC, beatmaker, compositor e produtor, mora na região de São Mateus, no extremo leste de São Paulo. Independente, sem gravadora e sem atalho, ele constrói uma carreira baseada em algo que poucos artistas do underground levam tão a sério: introspecção de verdade.

Da ansiedade social ao primeiro verso
A história de HANLEE com o rap não começou por vaidade. Começou por necessidade.
Aos 13 anos, ele passou por um período difícil, marcado por um quadro de depressão e ansiedade social. E foi ali, no meio da dificuldade, que encontrou nas rimas uma forma de colocar pra fora o que sentia e pensava. Ou seja, antes de ser uma escolha artística, o rap foi um mecanismo de sobrevivência emocional.
Talvez por isso as músicas dele soem tão sinceras. Afinal, quando a escrita nasce da dor, ela carrega um peso que não dá pra fingir.
Uma filosofia que vira letra
Se tem uma palavra que resume HANLEE, essa palavra é reflexão. Ele gosta de questionar, de pensar sobre existência, sentimentos, identidade e comportamento humano, e tudo isso aparece bastante nas letras dele.
Não é à toa que suas composições são descritas como confessionais. Nas plataformas onde o público acompanha suas letras, como o Letras.mus.br, os temas recorrentes passam por rotina, passagens bíblicas e crises existenciais. Ou seja, HANLEE não escreve pensando em hit fácil. Ele escreve pensando na verdade.
Além disso, essa pegada mais filosófica dialoga diretamente com as referências que ele carrega. Entre os nomes que o inspiram estão Rashid, Kamau, Mac Miller, RM, Léo do Síntese, Shawlin, Inglês, Cormega, Nas e Q-Tip. Portanto, dá pra perceber uma mistura de rap nacional consciente com clássicos do hip hop internacional, sempre com o mesmo denominador em comum: profundidade.
Os primeiros passos da discografia
O primeiro lançamento oficial como HANLEE foi “Exegese“, feita em parceria com o produtor e amigo MADVIBES. Logo depois veio “VIDA“, também assinada ao lado de MADVIBES, uma faixa que representa bem essa identidade introspectiva e reflexiva do artista.
De lá pra cá, o catálogo só cresceu. “Monocromáticos“, parceria com o rapper danz00s, é considerada a colaboração de maior destaque na carreira até aqui. Já “Mó Fita” segue reforçando esse universo mais intimista, onde cada verso parece uma página de diário.
Em outras palavras, mesmo em pouco tempo de carreira, HANLEE já construiu uma identidade sonora reconhecível: crua, pensante e sem medo de expor vulnerabilidade.
Por que ficar de olho em HANLEE
A cena underground de São Paulo tem um jeito próprio de revelar talento: sem holofote, sem pressa e, geralmente, longe do centro. HANLEE é exatamente esse tipo de nome. Vem da quebrada, vem da vivência, e transforma isso em arte com uma maturidade que impressiona pra quem tem só 19 anos.
Consequentemente, acompanhar o trabalho dele agora é acompanhar o início de uma trajetória que promete crescer junto com o público que se identifica com rap de verdade, escrito com propósito e sem máscara.
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